Книга · Os Lusiadas
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Автор: Luis de Camoes
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36 "Mas a de Mir Hocém, que, abalroando, A fúria esperará dos
vingadores, Verá braços e pernas ir nadando Sem corpos, pelo mar,
de seus senhores. Raios de fogo irão representando, No cego
ardor, os bravos domadores. Quanto ali sentirão olhos e ouvidos É
fumo, ferro, flamas e alaridos.
37 "Mas ah, que desta próspera vitória, Com que despois virá ao
pátrio Tejo, Quási lhe roubará a famosa glória Um sucesso, que
triste e negro vejo! O Cabo Tormentório, que a memória Cos ossos
guardará, não terá pejo De tirar deste mundo aquele esprito, Que
não tiraram toda a Índia e Egipto.
38 "Ali, Cafres selvagens poderão O que destros imigos não
puderam; E rudos paus tostados sós farão O que arcos e pelouros
não fizeram. Ocultos os juízos de Deus são; As gentes vãs, que
não nos entenderam, Chamam-lhe fado mau, fortuna escura, Sendo só
providência de Deus pura.
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