Kitap · Os Lusiadas
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Yazar: Luis de Camoes
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37 A viseira do elmo de diamante Alevantando um pouco, mui
seguro, Por dar seu parecer, se pôs diante De Júpiter, armado,
forte e duro: E dando uma pancada penetrante, Com o conto do
bastão no sólio puro, O Céu tremeu, e Apolo, de torvado, Um pouco
a luz perdeu, como enfiado.
38 E disse assim: "Ó Padre, a cujo império Tudo aquilo obedece,
que criaste, Se esta gente, que busca outro hemisfério, Cuja
valia, e obras tanto amaste, Não queres que padeçam vitupério,
Como há já tanto tempo que ordenaste, Não onças mais, pois és
juiz direito, Razões de quem parece que é suspeito.
39 "Que, se aqui a razão se não mostrasse Vencida do temor
demasiado, Bem fora que aqui Baco os sustentasse, Pois que de
Luso vem, seu tão privado; Mas esta tenção sua agora passe,
Porque enfim vem de estâmago danado; Que nunca tirará alheia
inveja O bem, que outrem merece, e o Céu deseja.
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