Kitap · Os Lusiadas
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Yazar: Luis de Camoes
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21 Nos ombros de um Tritão, com gesto aceso, Vai a linda Dione
furiosa; Não sente quem a leva o doce peso, De soberbo com carga
tão formosa. Já chegam perto donde o vento teso Enche as velas da
frota belicosa; Repartem-se e rodeiam nesse instante As naus
ligeiras, que iam por diante.
22 Põe-se a Deusa com outras em direito Da proa capitaina, e ali
fechando O caminho da barra, estão de jeito, Que em vão assopra o
vento, a vela inchando. Põem no madeiro duro o brando peito, Para
detrás a forte nau forçando; Outras em derredor levando-a
estavam, E da barra inimiga a desviavam.
23 Quais para a cova as próvidas formigas, Levando o peso grande
acomodado, As forças exercitam, de inimigas Do inimigo inverno
congelado; Ali são seus trabalhos e fadigas, Ali mostram vigor
nunca esperado: Tais andavam as Ninfas estorvando A gente
Portuguesa o fim nefando.
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