Kitap · Os Lusiadas
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Yazar: Luis de Camoes
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72 Era no tempo alegre, quando entrava No roubador de Europa a
luz Febeia, Quando um e outro corno lhe aquentava, E Flora
derramava o de Amalteia: A memória do dia renovava O pressuroso
Sol, que o Céu rodeia, Em que Aquele, a quem tudo está sujeito, O
selo pôs a quanto tinha feito;
73 Quando chegava a frota àquela parte, Onde o Reino Melinde já
se via, De toldos adornada, e leda de arte Que bem mostra estimar
o santo dia. Treme a bandeira, voa o estandarte, A cor purpúrea
ao longe aparecia; Soam os atambores o pandeiros, E assim
entravam ledos e guerreiros.
74 Enche-se toda a praia Melindana Da gente que vem ver a leda
armada, Gente mais verdadeira, e mais humana, Que toda a doutra
terra atrás deixada. Surge diante a frota Lusitana, Pega no fundo
a âncora pesada; Mandam fora um dos Mouros que tomaram, Por quem
sua vinda ao Rei manifestaram.
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