Kitap · Os Lusiadas
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Yazar: Luis de Camoes
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40 "Qual diante do algoz o condenado, Que já na vida a morte tem
bebido, Põe no cepo a garganta, e já entregado Espera pelo golpe
tão temido: Tal diante do Príncipe indinado, Egas estava a tudo
oferecido. Mas o Rei, vendo a estranha lealdade, Mais pôde,
enfim, que a ira a piedade.
41 "Ó grão fidelidade Portuguesa, De vassalo, que a tanto se
obrigava! Que mais o Persa fez naquela empresa, Onde rosto e
narizes se cortava? Do que ao grande Dario tanto pesa, Que mil
vezes dizendo suspirava, Que mais o seu Zopiro são prezara, Que
vinte Babilónias que tomara.
42 Mas já o Príncipe Afonso aparelhava O Lusitano exército
ditoso, Contra o Mouro que as terras habitava D'além do claro
Tejo deleitoso; Já no campo de Ourique se assentava O arraial
soberbo e belicoso, Defronte do inimigo Sarraceno, Posto que em
força e gente tão pequeno.
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