Libro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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3 Ali, em cadeiras ricas, cristalinas, Se assentam dous e dous,
amante e dama; Noutras, à cabeceira, d'ouro finas, Está co a bela
Deusa o claro Gama. De iguarias suaves e divinas, A quem não
chega a Egípcia antiga fama, Se acumulam os pratos de fulvo ouro,
Trazidos lá do Atlântico tesouro.
4 Os vinhos odoríferos, que acima Estão não só do Itálico Falerno
Mas da Ambrósia, que Jove tanto estima Com todo o ajuntamento
sempiterno, Nos vasos, onde em vão trabalha a lima, Crespas
escumas erguem, que no interno Coração movem súbita alegria,
Saltando co a mistura d'água fria.
5 Mil práticas alegres se tocavam; Risos doces, sutis e argutos
ditos, Que entre um e outro manjar se ale vantavam, Despertando
os alegres apetitos; Músicos instrumentos não faltavam (Quais, no
profundo Reino, os nus espritos Fizeram descansar da eterna pena)
Cüa voz düa angélica Sirena.
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