Libro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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6 Cantava a bela Ninfa, e cos acentos, Que pelos altos paços vão
soando, Em consonância igual, os instumentos Suaves vêm a um
tempo conformando. Um súbito silêncio enfreia os ventos E faz ir
docemente murmurando As águas, e nas casas naturais Adormecer os
brutos animais.
7 Com doce voz está subindo ao Céu Altos varões que estão por vir
ao mundo, Cujas claras Ideias viu Proteu Num globo vão, diáfano,
rotundo, Que Júpiter em dom lho concedeu Em sonhos, e despois no
Reino fundo, Vaticinando, o disse, e na memória Recolheu logo a
Ninfa a clara história.
8 Matéria é de coturno, e não de soco, A que a Ninfa aprendeu no
imenso lago; Qual Iopas não soube, ou Demodoco, Entre os Feaces
um, outro em Cartago. Aqui, minha Calíope, te invoco Neste
trabalho extremo, por que em pago Me tornes do que escrevo, e em
vão pretendo, O gosto de escrever, que vou perdendo.
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