Libro · Os Lusiadas
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Autore: Luis de Camoes
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100 Para lá se inclinava a leda frota; Mas a Deusa em Citere
celebrada, Vendo como deixava a certa rota Por ir buscar a morte
não cuidada, Não consente que em terra tão remota Se perca a
gente dela tanto amada. E com ventos contrários a desvia Donde o
piloto falso a leva e guia.
101 Mas o malvado Mouro, não podendo Tal determinação levar
avante, Outra maldade iníqua cometendo, Ainda em seu propósito
constante, Lhe diz que, pois as águas discorrendo Os levaram por
força por diante, Que outra ilha tem perto, cuja gente Eram
Cristãos com Mouros juntamente.
102 Também nestas palavras lhe mentia, Como por regimento enfim
levava, Que aqui gente de Cristo não havia, Mas a que a Mahamede
celebrava. O Capitão, que em tudo o Mouro cria, Virando as velas,
a ilha demandava; Mas, não querendo a Deusa guardadora, Não entra
pela barra, e surge fora.
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