Libro · Os Lusiadas
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Autore: Luis de Camoes
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66 Neste tempo, que as âncoras levavam, Na sombra escura os
Mouros escondidos Mansamente as amarras lhe cortavam, Por serem,
dando à costa, destruídos; Mas com vista de linces vigiavam Os
Portugueses, sempre apercebidos. Eles, como acordados os
sentiram, Voando, e não remando, lhe fugiram.
67 Mas já as agudas proas apartando Iam as vias húmidas de
argento; Assopra-lhe galerno o vento, e brando, Com suave e
seguro movimento. Nos perigos passados vão falando, Que mal se
perderão do pensamento Os casos grandes, donde em tanto aperto A
vida em salvo escapa por acerto.
68 Tinha uma volta dado o Sol ardente E noutro começava, quando
viram Ao longe deus navios, brandamente Co'os ventos navegando,
que respiram: Porque haviam de ser da Maura gente, Para eles
arribando, as velas viram: Um, de temor do mal que arreceava, Por
se salvar a gente à costa dava.
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